Cientistas investem no tratamento de uma das maiores epidemias do século

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Projeto estuda métodos de tratamento da doença renal crônica, que consiste na perda progressiva da função dos rins. (Foto: Stefânia Sangi)

Como parte da série Ciência 24h, a equipe da diretoria de Comunicação conversou com a pesquisadora da faculdade de Medicina, Hélady Sanders Pinheiro, que se dedica a pesquisar uma das doenças mais epidêmicas do século, a doença renal crônica (DRC).

A equipe orientada por Hélady estuda métodos de tratamento da DRC, que consiste na perda progressiva da função dos rins e é considerada uma das maiores epidemias do século. “É uma doença muito grave, cuja incidência e prevalência vem aumentando muito nos últimos anos”, aponta a pesquisadora. “Em nossas duas principais pesquisas, estudamos o tratamento de alterações ósseas, que são resultantes de complicações da DRC.”

“Recentemente, vários estudos mostraram a relação entre as complicações cardiovasculares, como as calcificações vasculares e a hipertrofia cardíaca, com outra manifestação da DRC: o distúrbio mineral ósseo”, explica Bárbara Castro, estudante de mestrado membro da equipe. “No laboratório, estudamos aspectos desta relação pensando em estratégias a serem aplicadas em pacientes.” Hélady também discorre sobre o destaque deste tipo de estudo. “É uma área de tratamento muito pouco estudada. Ainda não existem terapêuticas eficientes, e por isso a importância da repercussão de uso em pacientes.”

Um dos projetos de pesquisa, feito em parceria com a Universidade Federal de Itajaí, é voltado para a resolução de uma problemática atual: a de que os medicamentos para redução de fósforo em pacientes com DRC são pouco eficientes ou detentores de efeitos colaterais que limitam seu uso. A diminuição da sobrecarga de fósforo no sangue é importante, uma vez que a concentração do mesmo pode ocasionar perda de massa óssea e calcificação de vasos sanguíneos. Uma das formas de avaliar os resultados da pesquisa é, por exemplo, através da observação de Raios X dos animais.

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A equipe: João Luis T. Santos, Allyne Marchioni, Bárbara Castro e Hélady Pinheiro (Foto: Stefânia Sangi)

“Recentemente, um polímero à base do composto Quitosana mostrou, em animais normais, a capacidade de se ligar ao fósforo ingerido e eliminá-lo nas fezes”, esclarece Bárbara. “Já conseguimos observar que esse processo consegue reduzir o fósforo dos animais com DRC. Estamos avaliando como foi o desenvolvimento ósseo e acreditamos que o polímero seja capaz de prevenir a calcificação vascular.”

Já o segundo projeto estuda o melhor modelo animal para avaliar o impacto da DRC sobre a perda de uma substância chamada Klotho, que é reduzida em consequência da doença. Essa substância tem relação com o metabolismo ósseo e com alterações que afetam o coração do paciente. A pesquisa avalia as variações cardíacas usando dois modelos experimentais.

Pacientes hipertensos e diabéticos figuram entre os grupos de pessoas mais suscetíveis à doença. Outros fatores como histórico familiar, obesidade, tabagismo, alto consumo de proteína animal e sal na dieta alimentícia também prejudicam o funcionamento dos rins no corpo humano, podendo levar à DRC. “Ela é caracterizada pela diminuição progressiva da função renal e, em consequência, surgem complicações; as relacionadas ao sistema cardiovascular, uma das mais importantes, são responsáveis pela maior parte das mortes nestes pacientes com DRC”, elucida Bárbara.

Incentivo à pesquisa científica

Há 13 anos na UFJF e presente no CBR há mais de uma década, a professora Hélady Sanders Pinheiro assegura que o maior atrativo do Centro é a qualidade dos trabalhos desenvolvidos nele. “É uma estrutura com excelência de pesquisa, onde é possível exercer essa atividade com muita qualidade; essa foi a principal razão que me juntei ao CBR e permaneci aqui”, assegura. “Houve um grande desenvolvimento que possibilitou trazer mais e novas áreas de pesquisa, o que nos ajudou a progredir cada vez mais.”

“O diferencial da pesquisa experimental é que, nela, se ganha também uma forma de se pensar, é muito mais fácil desenvolver um pensamento e metodologia científica”, argumenta Hélady. “O que eu busco para os meus alunos na Iniciação Científica é que eles aprendam além da técnica. A riqueza do caminho, o desenvolvimento do seu pensamento crítico, é o que você ganha nesta área.”

Outras informações:

Centro de Biologia da Reprodução : (32) 2102-3251 / 2102-3255

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