Pesquisa relaciona o metabolismo da mãe com a saúde do filho

Ciancia-24h destaque do dia

Laboratório de pesquisa do Centro de Biologia da Reprodução. (Foto: Caique Cahon)

Com foco nos projetos que transcendem o calendário acadêmico, nossa equipe realiza uma série de matérias intitulada “Ciência 24h”. Em visita ao Centro de Biologia da Reprodução (CBR) da UFJF, reconhecido por desenvolver experimentos com foco na melhoria da saúde da população, conversamos com a pesquisadora, Ana Eliza Andreazzi, do departamento de Fisiologia, que aproveita o período para acelerar ainda mais o processo de investigação.

Em consonância com o atual desafio da área de endocrinologia, Ana Eliza tem se dedicado à análise da Programação Metabólica. Ela explica o impacto desse trabalho no nosso dia a dia e a relação com a saúde da família. O estudo consiste em, por meio de diversos experimentos com modelo animal, mostrar a relação do metabolismo da mãe, durante a gestação e lactação, com o metabolismo do filho. “Trabalhos da literatura mostram que quando a mãe possui uma dieta desregrada, tem diabetes ou está acima do peso e não pratica exercícios, por exemplo, o metabolismo dela pode afetar, negativamente, o metabolismo do filho. Ele, na vida adulta, vai ter mais tendência a desenvolver diabetes e obesidade, mesmo que tenha uma dieta mais regrada do que a mãe. Isso é chamado de programação metabólica – e você pode programar o metabolismo de um indivíduo, tanto para a saúde quanto para a doença.”

ana elisa cbr

“Se durante a gestação e lactação a mãe é um indivíduo ativo, isso afeta positivamente o metabolismo do filho”, afirma Ana Eliza. (Foto: Twin Alvarenga)

Um exemplo dessa programação para a saúde seria a prevenção de doenças a longo prazo, ou seja, um bom reflexo do estilo de vida saudável da mãe no metabolismo do filho. “Se durante a gestação e lactação a mãe é um indivíduo ativo, isso afeta positivamente o metabolismo do filho”, afirma Ana Eliza. “Nós temos um projeto com animais de laboratório, que consiste em fazer treinamento físico com a futura mãe; ela se desenvolve como uma atleta, se exercita até a vida adulta. Então a cruzamos com um macho também saudável, e estudamos o efeito deste treinamento físico no metabolismo do filho.”

A passagem desses aspectos metabólicos para futuras gerações também é explicada pela pesquisadora. “A estrutura do DNA não é modificada, não ocorre alteração na sequência dos genes, o que ocorre é a transmissão epigenética”, explica a pesquisadora. Este termo é usado para designar mudanças na forma como os genes se manifestam, aumentando ou diminuindo a produção de proteínas que afetam o metabolismo, por exemplo, alterando o apetite ou o gasto de energia.

A pesquisadora, que começou a se interessar por esta área durante sua formação acadêmica na Universidade Estadual de Maringá (UEM), trouxe essa linha de investigação para a UFJF. Segundo Ana Eliza, a pesquisa faz parte de projetos de mestrado e doutorado dentro da Universidade, em parceria com a professora Vera Peters, diretora do CBR. Estudos sobre programação metabólica, como elucidado pela pesquisadora, são recentes na área de ciências biológicas, mas já têm destaque entre pacientes e profissionais, especialmente os voltados para a saúde da criança e da família, pois já existem trabalhos publicados mostrando que a programação metabólica acontece também em humanos.

“O ideal é prevenir”, declara Ana Eliza. “O exercício físico e a dieta são especialmente importantes durante a gestação e lactação, e o adequado seria uma rotina saudável desde antes da gravidez.” A importância de uma boa nutrição da gestante durante o período perinatal e nos primeiros anos de vida do seu filho se prova crucial, além da própria saúde da mãe, também para a prevenção de doenças ao longo da vida da criança, auxiliando no desenvolvimento mais saudável do seu metabolismo.

vera peters

Diretora do CBR, Vera Maria Peters. (Foto: Caique Cahon)

Criado em 1970, o CBR conquistou sua relevância acadêmica e mérito científico através de sua multidisciplinaridade. “Trabalhamos com ensino, pesquisa e extensão”, afirma a diretora do CBR, Vera Maria Peters. “Não paramos nem mesmo durante as férias, uma vez que nossa base principal são as pesquisas biológicas que utilizam o modelo animal como meio de busca da verdade científica – e ela não pode parar.”

“Não se trata unicamente de pesquisas, mas também de vidas”, ressalta Vera. Ao discorrer sobre como a ciência não pode ser suspensa, ela exemplifica que esse período acaba se tornando uma época dinâmica para aqueles envolvidos no Centro, especialmente para alunos de pós-graduação e professores: “Muitos estão em pleno período de construção de defesas das suas teses e desenvolvendo seus trabalhos enquanto ainda não se aplicam em salas de aula.” Além da linha de pesquisa voltada para a reprodução, os pesquisadores do CBR também se distribuem em linhas como pneumologia, necrologia, agentes toxicológicos, imunopatologia e imunologia.

Mais informações:

(32) 2102-3251 / 2102-3255 (Centro de Biologia da Reprodução – CBR)

www.ufjf.br/cbr

 

Acompanhe a UFJF nas mídias sociais: Facebook | Twitter | Instagram | YouTube | Soundcloud

Compartilhe: