Le Breton diz que corpo é artifício de expressão e defende fim da definição de gênero pelo sexo

David Le Breton - antropólogo francês Foto Géssica Leine

David Le Breton – antropólogo francês Foto Géssica Leine

Com o Teatro Pró-Música lotado, o Seminário Corpo, Gênero e Sexualidade recebeu na noite de quarta-feira, dia 24, o antropólogo francês David Le Breton. O pesquisador foi convidado para a conferência de abertura do evento, que segue nesta sexta-feira, 26, com programação na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Le Breton é um dos maiores especialistas em análise do corpo no contexto social, com mais de 20 obras publicadas sobre o assunto. Na palestra, questionou a correlação entre as características biológicas e a classificação dos gêneros masculino e feminino. “Sob a minha ótica, a biologia é uma questão secundária. Há diversas formas de representação do corpo que devem ser levadas em consideração para se classificar os gêneros. É tudo uma definição social, pois falar de masculino e feminino, implica, de algum modo, um julgamento de valor e uma referência, um contexto social e cultural”. “Os transgêneros são os grandes exemplos que confirmam que essa definição de gênero pelo sexo é apenas uma convenção social. Ninguém nasce mulher, torna-se mulher”, argumentou, citando Simone de Beauvoir.

Para ele, o corpo é uma ferramenta de projeção de sentidos, significados e valores. As transformações do corpo, tanto as mais comuns, como tatuagens e piercings, até as de mudanças de sexo são formas de expressão capazes de mostrar a verdadeira identidade do ser humano e de “ir além das convenções impostas pela sociedade”.

seminário corpo e sexualidade - abertura no Pró-Música - Foto Géssica Leine

Teatro Pró-Música ficou lotado na abertura do Seminário Corpo, Gênero e Sexualidade (Foto: Géssica Leine)

De acordo com um dos coordenadores do evento, professor da Faculdade de Educação (Faced) Roney Polato, a temática é muito atual e de extrema relevância, “pois diz respeito à como o sujeito se forma, se constitui e também sobre as relações sociais. É um tema que atravessa diferentes campos de conhecimento, como Educação, História, Antropologia, Psicologia, Educação Física, entre outras”. Para Polato, a visita do professor da Universidade de Estrasburgo II foi muita enriquecedora para os pesquisadores e alunos presentes. “Com seis edições, é a primeira vez que este seminário é realizado fora do sul do Brasil, e posso afirmar que começamos de forma muito positiva”.

Além da apresentação de trabalhos, das oficinas, minicursos e outras atividades, estão na programação dos próximos dias duas mesas redondas com especialistas do país e do exterior. Nesta quinta-feira, às 20h30, a partir do tema “o que podemos fazer com o corpo”, participam do debate os professores Lúcio Agra (PUC-SP), Paula Ribeiro (FURG), Priscila Dornelles (UFRB) e Ludmila Mourão (UFJF). Já na sexta, a mesa “Corpo, Resistências e Sexualidades” reúne a transexual argentina Lohana Berkins e os professores Maria Rita César (UFPR), Fernando Pocahy (UERJ) e Constantina Xavier Filha (UFMS).

 

Ouça à palestra completa na gravação da RadioWeb Cead. 

Outras informações:

Seminário Corpo, Gênero e Sexualidade

Programação completa

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