Seleção brasileira juvenil vence Argentina de virada em 1º jogo

Reação brasileira começou no 3º set

Reação brasileira começou no 3º set (Foto: Marcelo Viridiano/ UFJF)

Nos últimos dias, foi uma vitória em jogo-treino para a seleção brasileira juvenil do vôlei. Mas, como reza uma frase proverbial no esporte, “treino é treino, jogo é jogo”. Sobretudo quando está em questão uma rivalidade que ultrapassa modalidades: Brasil e Argentina.

Na noite da última sexta-feira, 27, quando os dois times fizeram o primeiro “jogo” de uma série de três que vai até domingo (veja abaixo), o peso da frase influenciou, mas não mudou o histórico da semana. Os brasileiros venceram os argentinos de virada, por 3 sets a 2, com as parciais 29/31, 22/25, 32/30, 25/17 e 15/11.

O ginásio poliesportivo da Faculdade de Educação Física da UFJF  (Faefid), lotado, recebeu com calor a seleção brasileira, que conta com duas promessas perto da seleção principal: o meio de rede Otávio Pinto e o ponta, Ricardo Lucanelli.

Exatamente às 19h, esses jovens atletas, que carregam nos ombros a responsabilidade de serem sucessores de uma geração tão vitoriosa, entraram em quadra ovacionados pelo público. Era o início da partida.

O jogo

Como prova de que clássico é clássico, os argentinos marcaram o primeiro ponto. Os brasileiros logo mostraram superioridade e viraram o placar mantendo-se na dianteira até o décimo ponto. Daí para frente, a Argentina aproveitou-se de erros bobos da equipe do Brasil e abriu três pontos: 15 a 12. Foi a primeira pedida de tempo do técnico Leonardo Carvalho, que tentou por ordem na casa. Não adiantou muito, o placar foi evoluindo, sempre com os hermanos na frente até 22 a 20.

A torcida animada levantou o time da casa que empatou o jogo e pôs fogo na partida. O fim do set foi a prova do alto nível da disputa travada entre duas fortes equipes. O empate persistiu, ponto a ponto, até 29 a 29. O Brasil forçava as jogadas constantemente na promessa Lucanelli. Foi aí que a Argentina mostrou seu valor, efetuando difíceis defesas e superando a seleção brasileira até chegar ao 31 a 29. Um set a zero para a Argentina.

Atuação diante da rede com o bloqueio trouxe 19 pontos para a seleção (Foto: Marcelo Viridiano/ UFJF)

No reinício da partida, a seleção de camisa amarela mostrou mais concentração, abrindo dois pontos na contagem. Porém, a equipe azul e branco fez jus à tradição de não se abalar diante de uma arquibancada lotada, que gritava o nome do time adversário. Mostrou um vôlei eficiente, com poucos erros, enquanto o time brasileiro cometia pequenas desatenções, que o impedia de se distanciar no placar.

O jogo persistiu no empate até o placar de 20 a 20. O ponta, Hugo Silva, em boa atuação, buscava inflamar o ânimo dos companheiros. As duas promessas Lucanelli e Otávio, apesar de mostrarem voleibol efetivo, não foram capazes de reverter a situação. Argentina fechou com 25 a 22. Dois sets a zero.

A torcida, ainda que atônita com a sensação de que a zebra estava presente em alguma das cadeiras do ginásio, não abandonou o time e permaneceu incentivando. No início do terceiro set, a história não mudou. A já difícil situação do Brasil se agravou quando o time começou perdendo, sem dar mostras de reação. As equipes foram trocando pontos, com a Argentina sempre à frente. No 20 a 18, o técnico Leonardo Carvalho pediu tempo e apostou em uma rede mais alta.

Foi então o momento para guardar na recordação. O jogo disputadíssimo foi se arrastando no empate até o 30º ponto. Aqui se destacou o ponta, Lucas Loh. O atleta ajudou a iniciar a virada, não dando chances para a defesa argentina. O time brasileiro restabeleceu a moral, tirando forças para uma reação memorável. O honrado apoio da torcida foi premiado com a vitória. O Brasil vence o set por incríveis 32 a 30. Três a um. Muitos gritos retumbavam pelo ginásio fazendo a arena tremer. O time acordou, era o momento da virada.

De virada é mais gostoso

Embalado pela heroica virada no set anterior, o time voltou forte para o quarto set, errando menos e virando todas as bolas na quadra argentina. Por sua vez, os hermanos sentiram a pressão de ver uma vitória certa escorrendo pelas mãos e passaram a pecar em lances que antes executavam com precisão. Com destaque para a eficiência do bloqueio, o time canarinho cresceu. Ricardo Loh, Hugo Silva, Lucanelli, Otávio e Bernardo Heitz junto de seus companheiros atropelaram. Resultado: só deu Brasil. Sem chances, o adversário foi batido com facilidade por 25 a 16. Dois a dois.

Agora era a hora da verdade. O set-desempate com rápidos 15 pontos decidiria o vencedor da noite. A impressão para um observador era de que a Argentina tinha deixado uma coisa séria acontecer: ter acordado um gigante.

Torcida inflamada, o jogo recomeça. Os dois times trocaram pontos e fizeram um set digno de uma grande partida. A Argentina voltou para o jogo e seguiu na frente. Foi aí que o “baixinho” de 1,82m, Victor Dias, bloqueou brilhantemente um ataque argentino. Foi o momento de maior vibração no time brasileiro, que seguiu virando as bolas até fazer 14 a 12, chegando ao setpoint. Leonardo Carvalho fez uma substituição no último ponto. Entrou Rafael Araújo, de 2,05m para fazer a diferença. A bola pingou na rede, e o atleta só teve o trabalho de empurrar para a quadra adversária. 15 a 12. Virada digna de seleção brasileira.

O maior pontuador do jogo foi Lucas Loh, com 33 pontos. O bloqueio foi um fundamento de destaque da seleção, 19 contra 9 da Argentina. Na efetividade do ataque, o Brasil foi bem com 56% de bolas viradas.

Jogo para amadurecer

"A Argentina é uma escola de voleibol fantástica", afirma o técnico do Brasil, Leonardo Carvalho (Foto: Marcelo Viridiano / UFJF)

O técnico Leonardo Carvalho falou da experiência adquirida com uma partida tão disputada. “A Argentina é uma escola de voleibol fantástica. Jogos como esse, com cinco sets, são muito importantes para o amadurecimento dos atletas”, comenta. O ponta Lucanelli, reconheceu a capacidade do adversário lembrando de um confronto importante no passado recente. “O jogo da Argentina é sempre isso aí. Eles jogam muito tempo juntos e são muito entrosados. Foi difícil hoje, na final do Sulamericano foi assim também.”

 

O meio de rede Otávio Pinto, mineiro de Contagem, elogiou o ambiente. “A cidade nos acolheu muito bem, aqui me sinto em casa.” Sobre as dificuldades da partida engrossou o coro de respeito ao adversário. “A Argentina é um time que dá muito trabalho, um time chato de jogar.”

O técnico argentino, Juan Manuel Cichello, lamentou a derrota, reconhecendo a força do Brasil. “Vencemos muito bem os dois primeiros sets, mas depois o jogo mudou. É uma excelente oportunidade para a preparação dos jogadores ter um oponente como o Brasil”, disse Cichello.

Jogos no fim de semana

Para quem perdeu essa partida ou quer ver mais, ainda não acabou. Serão disputados mais dois jogos no ginásio da Faefid, um no sábado e outro no domingo, às 19h, com entrada franca. Não haverá distribuição de ingressos.

A sequência contra a Argentina faz parte da preparação da seleção brasileira para o Campeonato Mundial, que acontecerá entre os dias 1º e 10 de agosto, no Rio de Janeiro.

Outras informações: (32) 2102-3281 (Faefid)

www.ufjf.br/faefid

José Renato Lima – estudante de Comunicação Social.

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