Pesquisador da UFJF participa de congresso internacional

Estes trabalhos vão ser apresentados no Congresso Internacional da Parapsychological Association, a ser realizado de 2 a 6 de agosto, no Canadá.

Um dos autores e diretor do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde (NUPES/UFJF), professor Alexander Moreira-Almeida, explica o interesse pelo tema: “Os fenômenos mediúnicos e de transe, associados às práticas religiosas, são muito freqüentes e têm uma enorme importância nas civilizações ao longo da história, entretanto, este é um tema muito pouco estudado do ponto de vista médico ou psicológico. Além disso, a comunidade científica muitas vezes assumiu uma postura de combate a estas práticas por considerá-las perigosas para sanidade mental das pessoas”. 

Um dos trabalhos, intitulado “Differences between Spiritist mediumship and dissociative identity disorder based on a structured interview”, é de autoria do diretor do NUPES, juntamente com o professor da Universidade de São Paulo (USP), Francisco Lotufo Neto, e o professor da Lund University na Suécia, Etzel Cardeña. Neste trabalho, os pesquisadores avaliaram as características de médiuns espíritas e compararam com as de portadores de transtorno de personalidade múltipla. “Os médiuns diferiram destes pacientes e exibiram boa saúde mental”, avalia o professor Alexander.

 

         A outra pesquisa, “An 'insanity factory': Psychiatry vs. Spiritism in Brazil (1900-1950)”, foi feita pela pesquisadora do NUPES, Angélica A. S. Almeida e pelo professor Alexander. Eles investigaram como se desenrolou o conflito entre psiquiatras e espíritas no Brasil entre 1900 e 1950. “O Espiritismo era considerado uma grande causa de doenças mentais. Esta postura gerou atitudes repressivas e discriminatórias contra as religiões mediúnicas no Brasil”, explica.

 

         As pesquisas estão sendo desenvolvidas desde 2001 e já foram apresentadas nos Congressos Americanos de Psiquiatria e de Psicologia, no Congresso Brasileiro de Psiquiatria e, também, no Simpósio Nacional da Associação Nacional de História (ANPUH). Desta vez o trabalho vai ser apresentado no evento da Parapsychological Association, uma entidade científica filiada a American Association for the Advancement of Science (AAAS).

 

   Alexander Moreira é professor da Faculdade de Medicina da UFJF, instituição onde se graduou. Fez residência e doutorado em psiquiatria na USP e pós-doutorado em psiquiatria pela Duke University

(EUA) investigando as relações entre religiosidade e saúde. Já a historiadora Angélica Almeida é formada na UFJF, com mestrado e doutorado em História pela Universidade de Campinas (Unicamp). Ambos fundaram o NUPES no final do ano passado, um grupo interdisciplinar de pesquisa em espiritualidade e saúde.

 

         Outras informações: alex.ma@ufjf.edu.br

 

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